domingo, 27 de novembro de 2011

Edifício Esplendor 2

Os tapetes envelheciam
pisados por outros pés.

Do cassino subiam músicas
e até o rumor das fichas.

Nas cortinas, de madrugada
a brisa pousava. Doce.

A vida jogada fora
voltava pelas janelas.

Meu pai, meu avô, Alberto...
Todos os mortos presentes.

Já não acendem a luz
com suas mãos entrevadas.

Fumar ou beber: proibido.
Os mortos olham e calam-se.

O retrato descoloria-se,
era superfície neutra.

As dívidas amontoavam-se.
A chuva caiu vinte anos.

Surgiram costumes loucos
e mesmo outros sentimentos.

- Que século, meu Deus! diziam os ratos.
E começavam a roer o edifício.

Drummond

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