Queria mais um amor.Escrevi cartas, remeti pelo correio a copa de uma árvore, pardais comendo no pé um mamão maduro - coisas que não dou a qualquer pessoa - e mais que tudo, taquicardias, um jeito de pensar com a boca fechada, os olhos tramando um gosto. Em vão. Meu bem não leu, não escreveu, não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração: o que que há durão, mal de chagas te comeu?
Não, ele disse: é desprezo de amor.
Adelia Prado
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