domingo, 27 de novembro de 2011

Te invento

Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco , não saberei passar ara a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim. Também nessa ultima hora e tão primeira inventarie tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até aprender sozinha a deixar de existir. Então te libertarei. Por enquanto eu te prendo e tua vida desconhecida e quente esta sendo minha única intima organização. Eu que sem tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade ? Mas é que a verdade nunca me fez sentido , e por isso eu a temia e temo. Desamparada eu te entrego tudo para que faças disso uma coisa alegre.

Clarice Lispector

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